A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) revelou que quase 150 empresários foram raptados nos últimos 12 anos, com cerca de uma centena a abandonar o País em consequência do receio provocado por estes crimes. O organismo apela ao Governo para tomar medidas mais eficazes e imediatas para combater esta situação, segundo informou a Lusa.
Pedro Baltazar, presidente do pelouro de segurança e protecção privada da CTA, informou que o número de empresários raptados é ainda mais elevado se incluirmos aqueles que ocupavam cargos de administração ou direcção. Segundo Baltazar, a situação está a gerar um elevado impacto económico e social, uma vez que os raptos resultam na criação de um “exército de desempregados”, afectando directamente os trabalhadores das empresas atingidas.
Os mais recentes episódios de raptos ocorreram em Maputo, com um dos incidentes a resultar na morte de uma agente da polícia durante uma troca de tiros com os raptores. Em resposta, a CTA sublinha a urgência de uma intervenção governamental mais robusta e reiterou a necessidade de implementar as medidas propostas pelo sector privado.
A Confederação solicitou ao Governo uma revisão das molduras penais relacionadas com estes crimes e um reforço significativo nas forças de segurança. Pedro Baltazar destacou que a solução para o problema não se alcançará sem um investimento sério nas Forças de Defesa e Segurança e criticou a falta de progressos na implementação de um sistema de vigilância nas cidades de Maputo e Matola, um projecto que foi abandonado.
“O número de empresários raptados é ainda mais elevado se incluirmos aqueles que ocupavam cargos de administração ou direcção”
Além disso, a CTA insiste na criação e operacionalização de uma brigada especializada anti-raptos, uma medida que já foi mencionada pelo Governo, mas que ainda não entrou em funcionamento. Baltazar alertou que, sem estas acções, o clima de insegurança continuará a desincentivar investidores estrangeiros e a pressionar empresários locais a considerar a saída do País.
Até Março de 2024, a polícia registou 185 casos de raptos e deteve pelo menos 288 pessoas suspeitas de envolvimento neste tipo de crime desde 2011, conforme indicado pelo ministro do Interior. A CTA continua a pressionar por uma resposta mais eficaz do Governo para reverter a situação e restaurar a confiança dos investidores e empresários em Moçambique.
Num desenvolvimento recente, o Presidente da República exigiu que a polícia identificasse pelo menos um mandante dos crimes de rapto. Esta pressão surge num contexto em que o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) revelou que os crimes de rapto resultaram na movimentação de mais de 2,1 mil milhões de meticais (33 milhões de dólares) desde 2014.
Nos últimos dez anos, Moçambique tem enfrentado uma escalada de crimes transnacionais, como raptos, tráfico de drogas e branqueamento de capitais. A recente série de incidentes sublinha a necessidade urgente de reforçar as estratégias de combate à criminalidade e garantir a segurança dos cidadãos e empresários na região. De acordo com a informação disponível, o relatório alerta ainda para o risco de evolução desta indústria criminosa, que pode vir a incluir reféns estrangeiros, aumentando assim os montantes envolvidos na extorsão.
























































