Um grupo de cientistas da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveu um novo traje espacial que absorve a urina dos astronautas, filtra o líquido e transforma-o em água potável. De acordo com um estudo publicado na revista Frontiers in SpaceTechnologies, 87% da urina é reciclada em cinco minutos.
O “traje destilador” foi desenvolvido para os astronautas usarem durante a caminhada espacial. Quando saem da nave ou da ISS, eles não podem ir à casa de banho, usam uma espécie de fralda e podem beber apenas um litro de água. Por isso, a invenção proporciona um pouco mais de conforto.
O conceito do novo traje espacial é baseado no traje usado pelos Fremen (o povo do deserto) em Duna. Como a água é o bem mais precioso nesse futuro distópico, inventaram uma tecnologia capaz de reciclar todo o suor e a urina eliminados pelo corpo. Fora do espaço, o universo ficcional criado por Frank Herbert já inspirou a ciência noutras ocasiões, incluindo a descoberta de novas espécies.
O traje espacial é constituído por uma roupa interior feita de várias camadas de tecido flexível com um dispositivo de recolha de silicone. Este tem uma forma e um tamanho diferentes, consoante o sexo do astronauta, mas é sempre fixado à volta dos órgãos genitais.

O dispositivo está conectado a uma bomba de vácuo para aspirar toda a urina. No entanto, esta bomba só é ligada quando a humidade relativa começa a aumentar.
Após a recolha, o líquido é levado para um sistema de filtragem de duas etapas, incluindo a osmose directa e inversa, que se encontra numa “mochila” nas costas do astronauta. Há também uma segunda bomba que separa a água do sal.
No final, a água recém-filtrada é enriquecida em electrólitos, tornando-se um tipo de isotónico (“bebida desportiva”) e bombeada para um reservatório de bebidas da roupa especial. Todo o equipamento pesa cerca de oito quilogramas e pode filtrar 500 mililitros de cada vez.
Com o protótipo do novo traje espacial disponível, os cientistas estão a planear as primeiras experiências. “O nosso sistema pode ser testado em condições de microgravidade simuladas, uma vez que a microgravidade é o principal factor espacial que devemos ter em conta”, afirma Sofia Etlin, investigadora da Universidade de Cornell e primeira autora do estudo, em comunicado.
“Estes testes garantirão a funcionalidade e a segurança do sistema antes da sua utilização em missões espaciais reais”, acrescenta Etlin.
O traje destilador deverá ser utilizado nas missões Artemis previstas para 2025 e 2026, com o objectivo de explorar a Lua. Deverá também estar presente nas missões tripuladas a Marte, a partir de 2030.



























































