A intensidade de carbono da economia sul-africana tornou-se insustentável, alertou o Presidente Cyril Ramaphosa na sua última newsletter semanal, publicada antes da sua participação num simpósio de financiamento climático organizado pelo Tesouro Nacional e pela Comissão Presidencial do Clima, segundo informações do portal Engineering News.
Ramaphosa observou que o mundo está cada vez mais orientado para economias mais verdes, enquanto importantes parceiros comerciais da África do Sul também estão a adoptar medidas para descarbonizar as suas economias. O governante não mencionou directamente o Mecanismo de Ajuste de Fronteiras de Carbono (CBAM) da União Europeia (UE), previsto para iniciar em 2026, nem planos similares de outros países para evitar “vazamentos de carbono”.
No entanto, sectores cruciais da África do Sul, como cimento, ferro, aço e alumínio, enfrentam uma exposição significativa ao CBAM, podendo registar declínios nas exportações entre 16% e 30% até 2030, segundo pesquisas preliminares.
Esta vulnerabilidade está principalmente relacionada com a intensidade de carvão do sector eléctrico sul-africano, elevando as emissões do Escopo 3 para fabricantes intensivos em electricidade a níveis críticos.
De acordo com a informação, diplomaticamente, a África do Sul está a opor-se à implementação do CBAM pela UE e outros, argumentando que tais medidas unilaterais contradizem o multilateralismo necessário para enfrentar as mudanças climáticas. Ramaphosa enfatizou que essas políticas seriam especialmente onerosas para uma economia já a enfrentar uma desindustrialização prematura, prejudicando ainda mais a sua capacidade financeira de implementar estratégias de mitigação de emissões de carbono e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.
O Presidente sul-africano destacou também os crescentes impactos das mudanças climáticas na África do Sul, mencionando as devastadoras inundações em KwaZulu-Natal em 2022, que causaram mais de 300 mortes e danos significativos à infra-estrutura social e económica. Ramaphosa sublinhou os custos económicos para sectores como a agricultura, turismo, mineração e manufactura, além das ameaças à segurança hídrica, alimentar, de infra-estrutura pública, assentamentos humanos e cuidados de saúde e educação.
“A frequência crescente de eventos climáticos extremos é um lembrete contundente de que precisamos acelerar os nossos esforços”, disse Ramaphosa salientando que “devemos usar a nossa política fiscal para apoiar a nossa resposta aos choques das mudanças climáticas e avançar na transição justa para uma economia mais inclusiva, resiliente e sustentável”.



























































