A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a produção de petróleo em Angola fique ligeiramente acima de 1 milhão de barris por dia até 2030, caindo 100 mil barris face aos 1,18 milhões de produção actual.
“Angola, que saiu da Organização dos Países Exportadores de Petróleo no princípio de 2024, deverá ver a sua produção de petróleo abrandar cerca de 100 mil barris por dia, para cerca de 1 milhão por dia até 2030”, lê-se num relatório divulgado esta quarta-feira, 12 de Junho, em Paris, a sede da Agência.
No documento, os peritos da AIE salientam que “a produção petrolífera em Angola tem estado em queda há anos devido a activos com desempenho abaixo do esperado e problemas operacionais”.
A produção de Angola, o segundo maior produtor de petróleo na África Subsaariana, a seguir à Nigéria, “atingiu o pico entre 2008 e 2016, com 1,7 a 1,8 milhões de barris bombeados diariamente, antes de começar um declínio agravado por problemas operacionais nos seus poços ultraprofundos e de elevado custo”, refere o documento, que indica também 2028 como o primeiro ano de produção dos poços Cameia e Golfinho, da francesa TotalEnergies, que deverão render 70 mil barris por dia.
“Angola, que saiu da Organização dos Países Exportadores de Petróleo no princípio de 2024, deverá ver a sua produção de petróleo abrandar cerca de 100 mil barris por dia, para cerca de 1 milhão por dia até 2030”
Nas previsões, a AIE vê Angola a bombear 1,11 milhões de barris por dia em 2024, e depois 1,08 e 10,9 nos dois anos seguintes; em 2027 a produção deverá subir para 1,10 milhões, mas depois cai para 1,08 no ano seguinte, para 1,06 milhões em 2029 e chega a 2030 bombeando 1,04 milhões de barris por dia.
No relatório anual sobre o mercado petrolífero a médio prazo, publicado esta quarta-feira, a AIE estima que a produção deverá aumentar para cerca de 113,8 milhões de barris por dia até ao início da década, o que resultará num excedente de extracção de cerca de oito milhões de barris, cerca de dois milhões mais do que actualmente.
Esta margem “maciça”, de dimensão apenas comparável à da crise da covid (em 2020 ultrapassou nove milhões de barris por dia), ameaça directamente a estratégia do cartel petrolífero OPEP+ para evitar a queda dos preços.

Na terça-feira (11), o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola disse que o esforço do país actualmente não está virado para o aumento da produção petrolífera, mas sim em mantê-la em torno de um milhão de barris diários.
“A nossa grande luta agora não é para aumentar a produção, é para estabilizar a produção em um milhão mais ou menos [de barris diários]”, afirmou Diamantino Azevedo, quando respondia perante deputados da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional, numa audição parlamentar para abordar a situação do sector que dirige.
Azevedo sublinhou ser “natural” o declínio da produção que Angola regista há alguns anos.
“É como um copo de água, bebemos, ele acaba, temos de repor. É como o petróleo: nós estamos a explorar há anos, as reservas vão enfraquecendo, é necessário procurar, e, se tivermos sorte, encontramos e nem sempre encontramos na mesma proporção que retiramos”, referiu.
Segundo o ministro, “é preciso investir”, porque Angola esteve, depois de “anos de ouro da indústria do petróleo”, um período longo sem novos investimentos.
Fonte: Lusa


























































