Joan Robinson, considerada por muitos como uma das mais influentes mulheres na história da economia, questionou se a disciplina deve ser entendida como uma ciência ou como uma ideologia.
Uma das descrições mais relevantes da economista Joan Robinson é feita na publicação de David Henderson, editor da “The Concise Encyclopedia of Economics”: foi indiscutivelmente a única mulher nascida antes de 1930 que pode ser considerada uma “grande” economista. Estava ao mesmo nível de outros que receberam o Prémio Nobel. Na verdade, muitos economistas esperavam que ela ganhasse a distinção em 1975. A Business Week, prestigiada revista de negócios americana, tinha tanta certeza que tal aconteceria que chegou a publicar um longo artigo sobre a economista, antes de o prémio desse ano ser anunciado. Mas o reconhecimento não aconteceu. Muitos economistas acreditam que a Academia Real Sueca, responsável pela atribuição do Prémio Nobel, terá sido tendenciosa contra Robinson por causa das opiniões políticas cada vez mais à esquerda, ao ponto de admirar a China de Mao Zedong e a Coreia do Norte de Kim Il Sung. Tais opiniões, consideradas extremistas, não deveriam ter afectado as hipóteses de receber um prémio pelos seus contributos intelectuais, mas, provavelmente, pesaram na decisão do júri.
Um contributo decisivo
O primeiro grande livro de Robinson foi o “The Economics of Imperfect Competition” (A Economia da Concorrência Imperfeita), no qual expôs um modelo de competição entre empresas, cada qual com algum poder de monopólio. Juntamente com o economista americano Edward Chamberlin, cuja teoria da concorrência monopolística tinha sido lançada apenas alguns meses antes, Joan Robinson iniciou aquela que ficou conhecida como a revolução da concorrência monopolística. Muitos economistas, influenciados pelos livros de Robinson e Chamberlin, acreditam que a maioria das indústrias não são nem perfeitamente competitivas, nem monopólios completos.
Em 1954, o artigo de Joan Robinson com o título “A Função de Produção e a Teoria do Capital” deu início ao que veio a ser chamado de controvérsia de Cambridge. Robinson atacou a ideia de que o capital pode ser medido e agregado. Esta tornou-se a posição em Cambridge (Inglaterra).
Do outro lado do Atlântico, Paul Samuelson e Robert Solow também defenderam a então tradicional visão neoclássica de que o capital pode ser agregado. Mas Robinson venceria a batalha. Como afirma o historiador Mark Blaug, Samuelson fez uma “declaração de rendição incondicional”.
A discriminação de género parece ter retardado o avanço de Joan Robinson na academia. A economista leccionou na Universidade de Cambridge desde 1931 até se aposentar em 1971.

Texto: Celso Chambisso • Fotografia: D.R

























































