O Zimbabué está a tentar reduzir drasticamente o montante da sua dívida aos investidores, a quem deve um total de 19,2 mil milhões de dólares, como parte dos esforços para reorganizar os pagamentos em atraso que pesam sobre a economia.
O ministro das Finanças, Mthuli Ncube, declarou numa entrevista no âmbito das reuniões anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) em Nairóbi, capital do Quénia, estar à procura de “cortes muito profundos”, não tendo avançado, porém, com mais pormenores sobre a extensão das reduções pretendidas pelas autoridades do país.
A dívida da nação da África Austral no final de Dezembro ascendia a 19,2 mil milhões de dólares, de acordo com uma apresentação feita por Mthuli Ncube na quarta-feira (29) numa reunião de liquidação de pagamentos em atraso. Deste montante, o país deve aos credores externos 13 mil milhões de dólares e aos investidores nacionais 6,2 mil milhões de dólares. Os dados anteriores fornecidos pelo Tesouro do Zimbabué apontavam para 18 mil milhões de dólares.
“O Zimbabué encontra-se actualmente em situação de crise de endividamento devido à acumulação de atrasos no pagamento da dívida externa no valor de 6,7 mil milhões de dólares”, declarou o ministro, acrescentando que “o excesso de dívida externa está a pesar fortemente sobre as necessidades de desenvolvimento do país devido à falta de acesso a recursos financeiros internacionais para financiar a recuperação económica do Zimbabué.”
O país está excluído dos mercados internacionais de capitais desde 1999, depois de ter incumprido a sua dívida. A lista de credores externos inclui o Clube de Paris, o Banco Mundial, o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o BAD. Os cinco maiores credores do país no Clube de Paris são a Alemanha, a França, o Reino Unido, o Japão e os Estados Unidos, que têm uma dívida conjunta de 3,1 mil milhões de dólares, disse Ncube.
“Os pagamentos simbólicos cumulativos efectuados até à data ascendem a 12,7 milhões de dólares”.
No início deste ano, os Estados Unidos da América (EUA) saíram das negociações que começaram em 2022. As relações entre Washington e Harare, que têm sido tensas há anos, permanecem geladas desde que EUA mantiveram as sanções contra o Presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, em Março.
Entretanto, o Governo tenciona continuar a efectuar pagamentos simbólicos trimestrais às instituições financeiras internacionais como demonstração de empenho, segundo o ministro. Desde que as remessas simbólicas começaram em 2021, o Zimbábue pagou cumulativamente ao Banco Mundial 70 milhões de dólares, ao BAD 37,4 milhões de dólares e ao BEI 5,6 milhões de dólares.
“O Governo está também a fazer pagamentos simbólicos trimestrais de 100 mil dólares para cada um dos 16 credores bilaterais do Clube de Paris”, disse Ncube, acrescentando que “os pagamentos simbólicos cumulativos efectuados até à data ascendem a 12,7 milhões de dólares”.
Fonte: New Zimbabwe



























































