A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique garantiu estar a decorrer a investigação para apurar a legitimidade das denúncias feitas sobre a existência de um esquema de desvio de dinheiro nas Linhas Áereas de Moçambique (LAM) através de máquinas dos terminais de pagamento automático (POS) não pertencentes à companhia.
“Correm actualmente dois processos no Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), sendo um registado com o número 6/2023, em que se investigam irregularidades na gestão da empresa, e outro, com o número 21/2024, em que se investigam as circunstâncias em que os POS foram instalados nas lojas de venda da LAM, assim como a titularidade dos mesmos”, explicou a procuradora-geral da República, Beatriz Buchili.

Sem avançar muitos detalhes, a dirigente, falando nesta quinta-feira (25) no Parlamento, clarificou que os dois processos estão em instrução contra alguns gestores da empresa.
Em Fevereiro, a Fly Modern Ark, consultora contratada pelo Governo para recuperar a LAM, denunciou um esquema de desvio de dinheiro em lojas de venda de bilhetes, através de máquinas dos terminais de pagamento automático (POS) não pertencentes à companhia.
“Fizemos um trabalho-relâmpago com a segurança interna da LAM, durante o qual recolhemos todos os POS nos 20 pontos de venda de bilhetes. Há algumas lojas onde os próprios chefes dos estabelecimentos não reconhecem as máquinas e dizem não saber sequer a quem pertencem”, declarou o director do projecto de reestruturação, Sérgio Matos.

Na altura, o responsável revelou que o processo de fiscalização tinha começado há quase duas semanas, quando a empresa percebeu que, embora o número de bilhetes vendidos estivesse a subir, as contas continuavam longe do esperado.
“Está-se a vender, mas a empresa não está a receber todo o dinheiro. Nos últimos três meses das avaliações, fomos vendo que o diferencial que estávamos a ter variava entre 2 a 3 milhões de dólares. Só no mês de Dezembro, tivemos um défice de 3,2 milhões de dólares”, observou.
Sérgio Matos avançou ainda que a inspecção tinha verificado casos suspeitos na recolha de dinheiro vivo nas lojas e no abastecimento de combustível às aeronaves.
“Uma aeronave tem uma capacidade máxima para combustível na ordem dos 80 mil litros, a que chamamos também de 80 toneladas. No entanto, constatámos que a mesma está a ser abastecida com 95 toneladas. Então, a questão é perceber por onde estão as 15 toneladas restantes a entrar”, questionou.
“Fizemos um trabalho-relâmpago com a segurança interna da LAM, durante o qual recolhemos todos os POS nos 20 pontos de venda de bilhetes. Há algumas lojas onde os próprios chefes dos estabelecimentos não reconhecem as máquinas e dizem não saber sequer a quem pertencem”
Além destas anomalias, o director denunciou a descoberta de uma conta no Maláui com 1,2 milhões de dólares, a que ninguém na companhia tem acesso.
“Ninguém sabe como movimentar ou tirar este valor. Há situações de funcionários que usam ou usaram fundos da companhia para compra de casas próprias”, concluiu.
A LAM está num processo de revitalização, com a empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA) na sua gestão desde Abril do ano passado. A estratégia da empresa segue-se a anos de problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos.



























































