O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defendeu, nesta quinta-feira (18), que a futura Hidroeléctrica de Mpanda Nkuwa, que estará localizada na província de Tete, no centro do País, deve dar prioridade aos interesses dos Moçambicanos e acautelar o impacto das mudanças climáticas para a infra-estrutura.
Falando à margem das Reuniões de Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que decorrem esta semana em Washington, nos Estados Unidos da América, o vice-presidente do BAD para a área da energia, mudanças climáticas e crescimento verde, Kevin Kariuki, enfatizou que os interesses do País devem estar em equilíbrio com os dos investidores, recordando que o projecto de construção está orçado em 5 mil milhões de dólares.
“É importante que haja uma relação simétrica entre as expectativas do País e dos investidores. Temos o papel de assegurar que os acordos sobre o projecto respondam às aspirações do povo moçambicano”, afirmou.
O responsável realçou a importância da avaliação do impacto das mudanças climáticas para a infra-estrutura, assinalando que na região do rio Zambeze, cuja água sustentará a futura hidroeléctrica, já ocorreram “três incidentes de seca” nos últimos dez anos, que “encolheram” o caudal.
Na terça-feira (16), o director do gabinete do Projecto da Hidroelétrica de Mpanda Nkua, Carlos Yum, explicou que o cumprimento de padrões internacionais ambientais é essencial para a mobilização de financiamento para o empreendimento.
“Se nós não obedecermos a isso [às exigências ambientais], mais difícil será o financiamento”, clarificou.
“Hoje em dia, estas instituições financeiras internacionais, sejam multilaterais ou comerciais, têm a obrigação de, no seu balanço, terem bem visíveis estas preocupações sociais e ambientais”, acrescentou.
Referindo-se ao facto de a futura Hidroeléctrica de Mpanda Nkuwa ter como base a fonte hídrica, Carlos Yum assinalou que o peso daquele recurso na transição energética também torna atractivo o financiamento do empreendimento.
Yum defendeu que o projecto tem também compromissos com a componente social, nomeadamente o reassentamento das populações dentro da lei e a boa governança. “Isso é parte do nosso ADN e quanto melhor cumprirmos estas premissas, melhor é a qualidade de financiamento”, enfatizou, acrescentando que o projecto está estruturado de forma credível para mobilizar os recursos necessários ao seu desenvolvimento.
O empreendimento levará cinco anos a ser construído, prevendo-se o início da sua operação para 2031. Será composto por uma central hidroeléctrica com capacidade de produção de 1500 megawatts e por uma linha de transporte de alta tensão com 1350 a 1400 quilómetros, que sairá de Tete, no centro de Moçambique, até Maputo.
Em Dezembro último, o Governo e um consórcio liderado pela Electricidade de França (EDF) assinaram acordos para a implementação do projecto. O consórcio internacional é constituído também pela petrolífera francesa TotalEnergies e pela japonesa Sumitomo Corporation, detendo conjuntamente 70% da hidroeléctrica. Em representação do Estado moçambicano, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Electricidade de Moçambique (EDM) detêm os restantes 30%. Com Mpanda Nkua em operação, o Executivo espera garantir a segurança energética para as necessidades domésticas e colocar o país como pólo regional no fornecimento deste recurso.


























































