Na primeira edição do Fórum Banca E&M-PwC sobre o sector bancário em Moçambique, a integração de factores ambientais, sociais e de governança (ESG) nas estratégias das instituições financeiras foi destacada como uma “prioridade crucial” pelos principais bancos moçambicanos. Diante dos crescentes desafios globais, as práticas de ESG estão a tornar-se não apenas uma preferência, mas uma “exigência para as instituições financeiras” que visam operar de forma sustentável e responsável.
Numa iniciativa da revista Economia & Mercado Moçambique, apoiada pela PwC Mozambique, o Fórum Banca emergiu como um palco de reflexão estratégica. A apresentação ministrada por Luís Barbosa e Tito Tavares, parceiros da PwC, constituiu um dos pontos altos do encontro, que contou com a presença dos líderes das principais instituições bancárias em Moçambique: Standard Bank Moçambique, Millennium bim, BCI, Access Bank Mozambique, FNB Moçambique e Nedbank Moçambique. A sessão abordou as nuances do ESG e da transição digital, sublinhando riscos, trajectórias e oportunidades para o sector financeiro num ambiente em constante transformação.
O papel do Banco Central Europeu
Durante o forúm, um dos pontos mais enfatizados foi a influência das directivas do Banco Central Europeu sobre as operações locais. “O BCE – a autoridade de supervisão de referência na Europa – definiu três macro prioridades em Dezembro de 2023”, explicou Luís Barbosa, partner da PwC. Estas prioridades destacam não apenas riscos operacionais e macroeconómicos, mas também a importância de integrar critérios ESG nas políticas internas das instituições.
“As prioridades dois e três ao nível do ESG indicam, grosso modo, que o BCE está a obrigar as instituições europeias a integrar o ESG naquilo que é o seu quadro de apetite ao risco, que é a sua estratégia de contactar os seus clientes, de os integrar naquilo que é o processo de decisão”, revelou.
Impacto no sector bancário moçambicano
A transição para a adopção de práticas ESG não é apenas uma resposta a uma exigência externa, mas também uma oportunidade para as instituições financeiras de Moçambique se alinharem com as melhores práticas internacionais. “E por isso, passamos para influenciar verdadeiramente quem é que queremos financiar e como é que vamos acompanhar o financiamento que estamos a conceder”, afirmou Tito Tavares, director da PwC, sublinhando “a mudança de uma abordagem teórica para uma aplicação prática e impactante do ESG.”

Desafios e oportunidades
Apesar das oportunidades, a implementação efectiva do ESG no contexto moçambicano enfrenta desafios únicos. As instituições financeiras devem navegar por um ambiente regulatório em evolução, ao mesmo tempo que adaptam as práticas internacionais para a realidade local. “A adaptação dos princípios ESG à realidade de Moçambique requer uma compreensão profunda do nosso ambiente regulatório e das necessidades específicas do nosso mercado”, explicou o consultor.
Perspectivas futuras
À medida que Moçambique avança na integração do ESG, espera-se que as instituições financeiras desempenhem um papel vital na promoção de uma economia sustentável. “O alinhamento com padrões internacionais não apenas melhora a resiliência e a competitividade das instituições locais, mas também as posiciona como líderes em práticas financeiras sustentáveis na região da África Austral”, comentou Tito Tavares.
A integração do ESG nas estratégias das instituições financeiras em Moçambique é mais do que uma tendência – é uma necessidade emergente que moldará o futuro do sector bancário no País. “As expectativas são altas, e o caminho adiante promete transformações significativas, tanto em termos de operações bancárias quanto no impacto socioeconómico mais amplo em Moçambique”, concluiu.
A primeira edição do Fórum Banca, uma iniciativa conjunta da Media4Development, publisher moçambicana detentora da revista Economia & Mercado e dos portais Diário Económico e 360º Mozambique, em parceria com a consultora PWC, teve como tema a “Banca e os Desafios do ESG e da Transição Digital em Moçambique”.
A primeira edição deste Fórum realizou-se num contexto em que os desafios emergentes de ESG (Ambiental, Social e Governance) e da transição e transformação digital são fulcrais para o Desenvolvimento Sustentável de Moçambique e reuniu, publicamente e pela primeira vez, os principais CEO de algumas das maiores instituições bancárias bancos nacionais – BCI, Standard Bank, Millennium bim, Access Bank, FNB e Nedbank, para além da Associação Moçambicana de Bancos.
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