A directora-geral do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), Zélia Menete, informou esta quarta-feira, 17 de Abril, em Nampula, que a instituição está prestes a libertar variedades de milho geneticamente modificado, faltando apenas a autorização das entidades competentes.
“O que estamos a tentar fazer aqui é melhorar as várias culturas que temos. No caso do milho, já temos estas variedades prontas para libertar para o mercado, mas isso agora depende da Autoridade Nacional de Biossegurança de Moçambique no Ministério da Ciência e Tecnologia. Já submetemos os relatórios e estamos à espera da aprovação”, declarou.
A fonte, citada pela Agência de Informação de Moçambique, adiantou que os ensaios foram conduzidos no distrito de Chókwè, província de Gaza, Lichinga (Niassa) e Ribáuè (Nampula) com variedades que mostraram desempenhos diferentes, dadas as condições agro-ecológicas desses locais, mas com potencial para que num hectare possam atingir um rendimento na ordem de entre quatro a cinco toneladas de milho, ao invés de uma tonelada, como acontece actualmente.
O desenvolvimento das novas variedades, segundo a fonte, procura responder aos problemas de baixo rendimento do milho frequentemente colocados pelos próprios produtores. “A nível nacional, rondamos os 900 quilos ou uma tonelada por hectare, enquanto outros países da nossa região produzem cinco, oito ou dez toneladas por hectare. Da investigação, verificou-se que os principais entraves são o ataque por doenças e pragas ao milho, baixa precipitação e ainda a disponibilidade de sementes certificadas para o agricultor trabalhar”, anotou.
Contudo, Zélia Menete não descartou a possibilidade de os agricultores comerciais, com envergadura financeira mais forte, optarem por continuar a usar variedades não geneticamente modificadas.
Sobre as críticas contra o uso de organismos geneticamente modificados (OGM), a directora-geral do IIAM defendeu a necessidade de balançar as vantagens decorrentes. Aliás, em Moçambique já se consomem produtos com estas características há vários anos.
“Não somos uma ilha, há muitos outros países que estão no mesmo caminho. Logo, queremos encontrar soluções para melhorar o rendimento, aumentar a produtividade por hectare e, ao invés de produzir uma tonelada, queremos chegar a dez”, vincou Menete.
A responsável concluiu: “estas variedades, e outras que são mais resilientes, podem garantir que Moçambique deixe de ser dependente de importações modificadas”.
Os organismos e alimentos geneticamente modificados são plantas, animais ou micróbios cujo genoma (ADN) foi modificado com recurso à engenharia genética para favorecer a expressão de características desejadas ou a geração de produtos biológicos desejados.
Em Moçambique, existe um regulamento de biossegurança relativo à gestão de organismos geneticamente modificados (OGM), que toma em conta os riscos ambientais e para a saúde, assim como o controlo de questões comerciais.