Moçambique realizou mais de meio milhão de novas ligações domiciliárias de electricidade em 2023, elevando a taxa de cobertura acima dos 50%, segundo dados da execução orçamental do ano passado, a que a Lusa teve acesso nesta quinta-feira, 28 de Março.
De acordo com o documento governamental sobre a execução de Janeiro a Dezembro de 2023, o processo de “expansão da rede eléctrica nacional permitiu o estabelecimento de 522,8 mil novas ligações domiciliárias”. Destas, 382,4 mil foram concretizadas através da Rede Eléctrica Nacional e 140,4 mil “através de sistemas isolados”.
Assim, acrescenta o documento, a taxa da população com acesso à energia eléctrica passou de 47,8% em 2022 para 53,4% em 2023.
O País prevê atingir em 2030 o acesso universal à energia com medidas que incluem a expansão da infra-estrutura eléctrica e soluções fora da rede, segundo a Estratégia de Transição Energética (ETS), noticiada em Fevereiro passado pela Lusa.
“A expansão da rede será fundamental para garantir o acesso universal à energia”, tanto eléctrica como térmica, aponta o documento aprovado pelo Governo, recordando que, segundo a Estratégia Nacional de Electrificação, para atingir este objectivo em 2030, com uma percentagem de 70% de soluções ligadas à rede e 30% fora da rede, serão necessárias “aproximadamente 2,5 milhões de novas ligações na rede e dois milhões de ligações fora da rede”.
Refere igualmente que serão adicionadas ou melhoradas linhas de alta tensão para fornecer a capacidade hidroeléctrica a instalar após 2030, também aos países vizinhos. “A capacidade adicional de transmissão nos próximos anos dependerá do crescimento da procura nacional e determinará a capacidade do País para exportar electricidade. Este programa de médio a longo prazo visa permitir à rede eléctrica garantir o equilíbrio entre a oferta e a procura, bem como manter a estabilidade da rede eléctrica”, lê-se no documento, que detalha um dos programas da ETS.
Estabelece igualmente que esta expansão inclui a infra-estrutura eléctrica doméstica básica, “mas também a criação de novos corredores industriais verdes”, nomeadamente o de Nacala, norte do País, “com capacidade para absorver e transportar energias renováveis”, apontando que “o objectivo é transportar energia para o sistema centro-norte, aumentar a taxa de acesso universal e fortalecer o desenvolvimento de um processo de industrialização verde nas principais zonas industriais”.
O documento reconhece como fundamental uma “rede interligada viável” e traça o propósito de “expandir e reforçar” a rede nacional até 2030, para garantir o fornecimento de 28 a 32 TWh [TeraWatt-hora] de energia, “incluindo o desenvolvimento de infra-estruturas nacionais e uma quota de 15-25% de energias renováveis”.
Depois de 2030, Moçambique “expandirá ainda mais a rede”, para suportar 55 a 65 TWh, incluindo 30 a 40% de energias renováveis, subindo para 65 a 75 TWh entre 2040 a 2050, metade garantida por renováveis.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, afirmou na Cimeira do Clima, em Dezembro passado, que a ETS vai colocar o País na “vanguarda da inovação climática”.
“Esta iniciativa não apenas coloca Moçambique na vanguarda da inovação climática, como também o posiciona como um destino de investimento atractivo sustentável”, afirmou o chefe do Estado, após intervir, em 2 de Dezembro, num dos painéis da Cimeira da ONU sobre o clima (COP28), que decorreu no Dubai.
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique anunciou em 27 de Novembro investimentos de 80 mil milhões de dólares na ETS, a implementar até 2050.
No período 2024 a 2030, o Governo moçambicano prevê adicionar 3,5 GigaWatts (GW) de nova capacidade hidroeléctrica através da modernização das centrais existentes e da conclusão do projecto hidroeléctrico Mphanda Nkuwa.


























































