Uma equipa de engenheiros do Instituto Real de Tecnologias de Melbourne (RMIT), na Austrália, desenvolveu um tecido capaz de arrefecer as pessoas mais rapidamente.
O novo produto enquadra-se na categoria dos chamados tecidos inteligentes, que são aqueles que possuem algum tipo de avanço tecnológico, capaz de resolver algum problema comum encontrado nos convencionais. Entre os exemplos, estão os tecidos que inibem odores, os impermeáveis ou que ajudam a regular o calor ao longo do tempo.
Na investigação da RMIT, a inovação destaca-se pela utilização de nanodiamantes para revestir um tecido de algodão. Estes têm uma elevada condutividade térmica e removem e libertam o calor do corpo do tecido.
Aplicando um método designado por electrofiação, uma tecnologia accionada por tensão, o estudo concluiu que o tecido era capaz de reduzir a temperatura entre 2°C a 3°C em comparação com o algodão normal ou não tratado.
Os nanodiamantes são pequenos cristais de carbono e os investigadores afirmam que o método de revestimento de nanofibras com nanodiamantes em têxteis de alta tecnologia têm um forte potencial comercial.
“Embora 2°C a 3°C possam não parecer uma grande mudança, esta faz logo diferença no conforto e nos impactos na saúde durante longos períodos e, em termos práticos, pode ser a distinção entre manter o ar condicionado ligado ou desligado”, afirma Shadi Houshyar, líder do projecto.
O estudo concluiu que os nanodiamantes aumentam a protecção ultravioleta do algodão, tornando-o ideal para vestuário de Verão ao ar livre. Prevê-se que a utilização deste tecido gere uma poupança de energia de 20% a 30% devido à menor utilização do ar condicionado.
Segundo o portal Ciclo Vivo, outras utilizações para o tecido de nanodiamantes incluem o vestuário desportivo e até como equipamentos de protecção individual para bombeiros, por exemplo. “Há também potencial para explorar a forma como os nanodiamantes podem ser utilizados para proteger os edifícios contra o sobreaquecimento, o que poderia conduzir a benefícios ambientais”, acrescenta Shadi.
A investigadora explica que os nanodiamantes não são o mesmo que os diamantes que adornam as jóias. “Na verdade, são baratos de fabricar – mais acessíveis do que o óxido de grafeno e outros tipos de materiais de carbono”, diz.
No entanto, isto não significa que, se for lançada no mercado, seja uma opção acessível. As t-shirts com tecnologia anti-suor, actualmente disponíveis no mercado, por exemplo, têm um custo muito acima da média.
A investigadora principal e assistente de investigação, Aisha Rehman, explica que o revestimento de nanodiamante foi aplicado deliberadamente apenas num dos lados do tecido para evitar que o calor da atmosfera fosse transferido para o corpo.
“O lado do tecido com o revestimento de nanodiamantes é o que está em contacto com a pele. Os nanodiamantes transferem então o calor do corpo para o ar”, diz Aisha, que trabalhou no estudo como parte do seu doutoramento.
Para além das suas propriedades de condutividade térmica, os nanodiamantes também podem ajudar a melhorar as propriedades térmicas de líquidos e géis, bem como aumentar a resistência à corrosão em metais.
“Os nanodiamantes são biocompatíveis, pelo que são seguros para o corpo humano. Por conseguinte, têm um grande potencial não apenas nos têxteis, mas também na área biomédica”, afirma.
Embora a pesquisa ainda seja preliminar, Shadi Houshyar acredita que este método tenha um forte potencial comercial. “Esta abordagem de electrofiação é simples e pode reduzir significativamente a variedade de passos de fabrico, em comparação com métodos testados anteriormente, que apresentaram processos demorados e desperdiçavam nanodiamantes”, salienta.
Outras pesquisas irão estudar a durabilidade das nanofibras, especialmente durante o processo de lavagem. O estudo completo foi publicado na revista Polymers for Advanced Technologies.
























































