O Conselho de Ministros de Moçambique decretou esta terça-feira o alerta laranja para todo o território nacional, em resposta à queda de chuva nas regiões norte e centro do País e à seca no sul.
“Temos tido alguma precipitação no Norte e Centro, mas há muita escassez de chuva na zona Sul (…). Queremos antecipar-nos, de modo que criemos condições, tanto para a possibilidade de um recrudescimento da precipitação como da continua escassez de chuvas”, afirmou o porta-voz do Conselho de Ministros, Filimão Suaze, no final da sessão semanal deste órgão.
Suaze avançou que a declaração do alerta laranja cria condições legais para a ativação dos centros operativos de emergência a nível nacional e distrital, mobilização de recursos materiais, humanos e financeiros e intensificação da sensibilização da população, para a retirada das zonas de risco de calamidades naturais.
Com a decisão hoje tomada, prosseguiu, o País previne-se de uma “situação mais difícil”, devido à chuva, no Centro e Norte, e à seca, no Sul.
Pelo menos 44 pessoas morreram em Moçambique na actual época das chuvas, desde Outubro, devido ao mau tempo, das quais 19 na província da Zambézia, segundo dados oficiais até 8 de Janeiro noticiados anteriormente pela Lusa.
De acordo com um relatório de balanço nacional do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as descargas atmosféricas foram a principal causa de morte (28 casos) neste período, relacionadas com as condições atmosféricas, seguido do desabamento de paredes (13) e afogamentos (três).
As chuvas e ventos fortes afectaram em todo o País, neste período, 4056 famílias, num total de 19 729 pessoas, e 49 ficaram feridas, provocando ainda a destruição parcial de 1611 residências, enquanto 718 foram totalmente destruídas e 1784 inundadas.
Há registo ainda de 137 salas de aulas destruídas, 21 escolas, 3968 alunos e 42 professores afectados.
O mau tempo afectou ainda oito unidades sanitárias e nove casas de culto, destruindo igualmente 88 quilómetros de estradas até 8 de Janeiro.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre Outubro e Abril.
O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o País.
Já no primeiro trimestre do ano passado, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afectaram no País mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3200 salas de aula, segundo dados oficiais do Governo.


























































