Sobreviventes e familiares de vítimas de um ataque de insurgentes em 2021, em Palma, província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, apresentaram uma queixa contra a TotalEnergies por negligência e homicídio indirecto, alegando que a petrolífera francesa não garantiu a segurança dos subcontratados.
Segundo o portal Market Screener, numa notícia publicada esta terça-feira, 10 de Outubro, a TotalEnergies rejeitou as alegações, afirmando serem “inexactas”.
Insurgentes islâmicos atacaram o distrito de Palma em Março de 2021, matando muitos civis em áreas próximas dos projectos de infra-estruturas de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Moçambique, detidos em parte pela TotalEnergies.
Os queixosos – incluindo três sobreviventes e quatro familiares de vítimas mortais numa emboscada – alegam que a TotalEnergies não informou os subcontratantes dos riscos de possíveis ataques ou da evolução desses ataques e não dispunha de planos de segurança ou de evacuação adequados.
Ainda segundo os queixosos, o helicóptero de uma empresa de segurança privada que resgatava pessoas que se tinham refugiado num hotel foi parado devido à falta de combustível, sendo que a TotalEnergies recusou um pedido de combustível com o argumento de não querer ser associada a uma empresa de segurança privada.
Face à situação, alguns subcontratantes tentaram fugir do hotel com uma caravana de veículos, que foi emboscada, causando vários mortos.
“É muito raro presumir que uma empresa possa ser acusada e processada por homicídio involuntário indirecto… Mas aqui temos uma série de negligências que contribuíram para uma situação que permitiu a perda de muitas vidas”, afirmou Henri Thulliez, advogado representante dos queixosos.
Através de um comunicado, citado pelo mesmo portal, os advogados dos queixosos explicaram que “não se alega que a TotalEnergies tenha causado directamente a morte das vítimas, mas que a empresa não agiu de acordo com os padrões de diligência esperados de um profissional nas suas responsabilidades”.
A TotalEnergies negou as alegações, argumentando ter um plano de segurança que foi executado. “Durante o ataque à vila de Palma, e de acordo com as informações de que dispomos, todo o pessoal da Mozambique LNG, os seus contratantes e subcontratantes foram evacuados”.



























































