A Associação Médica de Moçambique (AMM), que lidera uma greve da classe desde Julho, ameaçou nesta quarta-feira, 16 de Agosto, paralisar as actividades de assistência mínima, tendo ainda acusado o Governo de intimidação e falta de abertura para o diálogo.
“Face ao posicionamento do nosso Governo em optar por intimidações, furtar-se ao diálogo e não cumprir com os compromissos, nós informamos que a classe médica reserva-se ao direito de cancelar as suas cedências. Nenhum médico voltará ao trabalho e o Governo terá de contratar mais de 1500 profissionais”, disse o presidente da AMM, Milton Tatia, durante uma conferência de imprensa em Maputo.
De acordo com a AMM, o posicionamento do Executivo mostra que não há qualquer interesse em resolver o problema, observando que a nobreza do trabalho da classe justifica um tratamento diferenciado.
“O nosso trabalho é diferenciado e nobre e por isso merecemos tratamento diferenciado. Aliás, é preciso recordar que durante muito tempo os médicos foram os únicos licenciados a aceitarem trabalhar nos distritos mais recônditos e nas condições mais deploráveis. Estranhamos que o mesmo Governo que ontem nos chamou de heróis, hoje acha que devemos ter o mesmo tratamento que os outros profissionais”, acrescentou Milton Tatia.
Além de ameaçar paralisar a assistência mínima nas unidades de saúde, a AMM pondera exigir que se cumpra integralmente com o caderno reivindicativo inicial, de 28 de Outubro de 2022, que incluía muito mais exigências.
“O nosso Governo, em vez de dialogar, tem estado a optar por intimidações. Aliás, como devem ter-se apercebido, na semana passada, nós tentámos realizar uma feira de saúde aqui na cidade de Maputo e esta foi interrompida por alegadas ordens superiores. Fomos praticamente escorraçados do local onde estávamos a realizar a feira”, lamentou.
Nesta terça-feira, 15 de Agosto, em mais uma sessão do Conselho de Ministros, o Executivo considerou que as principais exigências da classe não encontram enquadramento na lei, não descartando a possibilidade de afastar os médicos que insistirem no protesto, principalmente os que estão nas categorias de especialização e nomeação provisória.
“No geral, o que se coloca é que o médico reclama que devia ser pago quatro vezes mais nas suas horas extra em relação a qualquer outro funcionário. Bom, convenhamos, isto é relativamente estranho e diferenciador. Já agora é ilegal”, declarou Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo.
Na sexta-feira (18), a Associação Médica de Moçambique vai realizar mais uma assembleia-geral em Maputo para decidir sobre a prorrogação da greve da classe, que já foi prolongada uma vez.
Os médicos moçambicanos estão em greve desde 10 de Julho, com a observância de serviços mínimos nas unidades de saúde, protestando sobretudo contra cortes salariais, no âmbito da aplicação da nova tabela salarial da função pública, e falta de pagamento de horas extraordinárias.
A aplicação da nova tabela salarial na função pública está a ser alvo de forte contestação por parte de várias classes profissionais, com registo de atrasos salariais e cortes criticados por vários segmentos do aparelho do Estado moçambicano.


























































