A forte correcção dos mercados financeiros no ano passado (2022) e a subida da inflação foram a principal causa para um apagão de quase 11 biliões de euros da economia global em 2022, segundo estimativas do UBS com base em informação recolhida junto de 5,4 mil milhões de pessoas de 200 mercados. Assim, o mundo perdeu 3,5 milhões de bilionários e reduziu as desigualdades.
De acordo com os dados da 14.ª edição do Global Wealth Report apresentado esta terça-feira, 15 de Agosto, a Europa e a América do Norte foram as regiões mais penalizadas, contabilizando uma queda de 3,4% e 4,5%, respectivamente, no ano passado. No entanto, esta dinâmica não afectou substancialmente o ranking dos países mais ricos do mundo, mantendo-se a Suíça como líder da lista dos países, em termos médios, com mais riqueza per capita (642 mil euros), seguida dos EUA (516 mil euros), Hong Kong (516 mil euros), Austrália (465 mil euros) e Dinamarca (384 mil euros).
“Os activos financeiros foram os que mais contribuíram para a diminuição do património, enquanto os activos não financeiros (sobretudo imóveis) se mantiveram resistentes, apesar do rápido aumento das taxas de juro“, referiu o economista e autor do relatório, Anthony Shorrocks, durante a apresentação dos dados nesta terça-feira, sublinhando ainda que “as contribuições relativas dos activos financeiros e não financeiros podem inverter-se em 2023 se os preços da habitação diminuírem em resposta ao aumento das taxas de juro.”
O UBS revela que a queda de 2,4% da riqueza global no ano passado provocou uma queda de 3,5 milhões de milionários no mundo, passando para 59,4 milhões de pessoas com uma fortuna superior a 1 milhão de dólares. “Este número não tem, no entanto, em conta 4,4 milhões de milionários da inflação que deixariam de ser elegíveis se o limiar dos milionários fosse ajustado em função da inflação em 2022”, lê-se no relatório.
No final do ano passado, 51% das maiores fortunas do mundo (acima dos 50 milhões de dólares, definidas pelo UBS como fortunas ultra-elevadas – UHNWI) estavam sediadas nos EUA, seguidos da China, Alemanha, Índia e Canadá.
Mas o apagão da economia mundial, sobretudo dos bolsos dos mais abastados, gerou também uma redução das desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres. “Juntamente com o declínio da riqueza agregada, a desigualdade global da riqueza também diminuiu em 2022, com a quota de riqueza do 1% do topo global a cair para 44,5%”, refere o UBS.
Para os próximos anos, a instituição estima que a riqueza global individual continue a crescer à boleia das economias de rendimento médio. “De acordo com as nossas projecções, a riqueza global aumentará 38% nos próximos cinco anos, atingindo 629 biliões de dólares em 2027“, afirmou Anthony Shorrocks
Nas contas do economista e autor do Global Wealth Report, o crescimento dos países de rendimento médio será o principal motor das tendências globais, com o UBS a estimar que a riqueza por adulto atinja os 110 dólares em 2027 e o número de milionários atinja os 86 milhões. Enquanto o número de indivíduos com um património líquido ultra-elevado deverá aumentar para 372 mil indivíduos.
O UBS prevê que, nos próximos cinco anos, 268 milhões de adultos se juntem ao grupo da classe média global, e que em 2027 representem 37% da população adulta global.
























































