O Alto-Comissariado das Nações Unidas Para os Refugiados (ACNUR) divulgou esta quarta-feira, 14 de Junho, o relatório “Tendências Globais do Deslocamento Forçado”, que aponta que o mundo registou um número recorde de pessoas forçadas a abandonar os seus lares, destacando a guerra na Ucrânia, que levou mais de 5,7 milhões de pessoas a fugirem do país.
Mais de 108,4 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas em 2022, número recorde que foi registado pelo ACNUR, que destaca que “em Maio deste ano, o número chegou a 110 milhões, principalmente devido ao grande número de pessoas que tiveram que fugir da violência do conflito no Sudão, em África”.
O assessor de comunicação do ACNUR nas Américas, Luiz Fernando Godinho, revelou que os factores que forçam as pessoas a saírem dos seus países incluem não só conflitos e guerras, mas também os impactos das mudanças climáticas, pobreza e instabilidade política. E na América Latina não é diferente.
“Três dos cinco países que mais receberam solicitações de refúgio em 2022 estão na América Latina, na região das Américas (Estados Unidos, Costa Rica e México). Ou seja, os movimentos a que assistimos na América Latina hoje reflectem essa complexidade do cenário internacional”, informou.
A partir do Panamá, Luiz Godinho, citado pela ONU News, contou que a guerra na Ucrânia foi o “grande vector” da enorme quantidade de refugiados registada no ano passado. Mais de 5,7 milhões de pessoas deixaram o país. Um fluxo de refugiados dessa magnitude “não era visto desde a Segunda Guerra Mundial”.
Já na América Central, muitas pessoas deslocam-se por causa de “conflitos internos, devido à violência e aos efeitos do clima”, apontou.
O especialista do ACNUR sublinhou que o retorno voluntário é uma das soluções previstas nas convenções que orientam o trabalho da agência. Segundo Godinho, “quando existem condições de retorno, a maioria das pessoas opta por voltar para casa”. E ao citar exemplos, lembrou Moçambique. “O caso de Moçambique é bastante simbólico e bastante ilustrativo sobre essa complexidade que se vive hoje no mundo. Por um lado, existem e continuam a existir deslocamentos internos no País, principalmente na região norte, onde há uma acção muito forte de milícias, de grupos armados que têm causado deslocamento interno. Por outro lado, vemos pessoas a retornar, principalmente aquelas que foram vítimas de eventos climáticos extremos, como os furacões que atingem aquela nação, regressando às suas casas porque consideram que existem condições”, elucidou.
Luiz Godinho afirmou que, acima de tudo, as crises humanitárias precisam de “solução política, pois se as causas pelas quais esses deslocamentos acontecem não são enfrentadas, nós continuaremos a reportá-las”.

























































