No âmbito das comemorações do mês da mulher, o First National Bank (FNB) promoveu, na passada semana, o encontro “De Mulheres para Mulheres”, no restaurante Botânica, em Maputo. O evento contou com um auditório de mulheres, clientes e parceiras do FNB que partilharam as suas experiências.
Como já diz o velho ditado “a mulher tem força de poder” e o FNB quis dar a conhecer a história de vida de três mulheres para uma abordagem interactiva.
Sónia Sultuane, Jocelyne Machevo e Nancy Mafundza, painelistas do evento, actuam em diferentes áreas de trabalho, movidas por um conceito comum – Eu Posso -, que mudou as suas trajectórias de vida.
Sónia Sultuane, escritora e artista plástica moçambicana, partilhou a sua luta contra dois cancros (útero e sistema linfático), mas que não lhe tiraram a vontade de vencer e viver.
“Quando fiquei com o meu primeiro cancro, infelizmente soube que, a partir daquele momento, não podia mais ser mãe, o que me abalou muito porque sempre quis ter outro filho”. A escritora conta que chegou a escrever um livro infantil – “A Lua de N´weti” – “dedicado a essa filha que eu nunca tive… todas as crianças que estão nesse livro é como se fossem minhas filhas”.
A escritora e artista plástica contou que quando lhe foi diagnosticado o segundo cancro, na altura com 45 anos, “pensei, desisto? Tive várias dúvidas, de medos e incertezas, mas o meu amor pela vida fez com que fosse à luta e, sempre que acordava, eu dizia ‘posso e vou continuar a viver’”.
Jocelyne Machevo, gestora de projectos de Oil and Gas, a primeira mulher moçambicana a ocupar um cargo executivo na Bacia Eni Rovuma, e uma referência entre as mulheres jovens, tornou-se contadora de histórias e oradora motivacional, partilhando o seu trajecto. Neste encontro, reiterou o que defende há muito tempo: “nós podemos ser o que queremos, tudo depende do nosso empenho”.
A gestora, que sempre estudou em escolas públicas, contou que, no âmbito do seu ingresso no ensino superior, não foi aprovada na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), mas conseguiu dar continuidade à sua aprendizagem através de uma bolsa de estudos numa faculdade privada. “Este foi o primeiro sim tangível de que o trabalho árduo recompensa, porque sempre fui aplicada nos estudos e valorizei o esforço que os meus pais faziam”.
Jocelyne Machevo revelou que, após terminar os estudos no ensino superior, conseguiu fazer parte dos projectos de desenvolvimento de gás na Bacia do Rovuma porque desenvolveu a autoconfiança necessária para tal, uma vez que se afirmava, na altura – em 2011 -, que não havia moçambicanos capacitados ingressar naqueles projectos.
“Lembro-me de ver no telejornal, olhar para a manchete que aparecia e pensar que iria fazer parte dos primeiros moçambicanos que participariam naquele desenvolvimento. Hoje, faço parte da indústria de Petróleo e Gás”.
A última interveniente no encontro, Nancy Mafundza Come, raptada aos 5 anos de idade pelos “Matsangaíssas”, viveu em cativeiro durante um ano onde viu várias pessoas a serem torturadas diariamente. Mas Nancy conseguiu fugir e mudar a trajectória da sua vida, superando desafios psicológicos e físicos. “Eu prefiro contar esta história, porque existem outras meninas que não tiveram essa oportunidade de vida, e eu tive”.
Nancy Mafundza formou-se, deu início à sua carreira e, quando teve a oportunidade de se juntar ao FNB, em 2009, no atendimento a clientes, não cruzou os braços e é hoje directora do Retalho do FNB. “A vontade de viver é o que me guia a cada dia”, concluiu.
























































