Um primeiro carregamento de fertilizantes russos para países em desenvolvimento deixará os Países Baixos para o Maláui, via Moçambique, na semana de 21 de Novembro, anunciou esta terça-feira, 15 de Novembro, o Programa Alimentar Mundial (PAM).
O carregamento viajará num navio fretado pelo PAM para Moçambique, de onde será transportado para o Maláui, disse a porta-voz da agência humanitária, Isheeta Sumra, citada pela agência espanhola EFE.
São 20 mil toneladas de fertilizante NPK (azoto-fósforo-potássio), da empresa russa Uralchem-Uralkali. Este carregamento vai ser enviado ao abrigo dos acordos assinados em Julho, em Istambul, para assegurar o livre acesso aos cereais e fertilizantes da Ucrânia e da federação russa.
O acordo sobre os fertilizantes russos prevê o envio de, pelo menos, 260 mil toneladas para países em desenvolvimento.
“O mundo precisa de esforços concertados para enfrentar urgentemente a escassez de fertilizantes nos mercados, que está a afectar particularmente os agricultores do mundo em desenvolvimento ao limitar severamente a sua produção”, disse a porta-voz, Isheeta Sumra, em Genebra.
O PAM afirmou que o fertilizante é crítico “especialmente para os agricultores do continente africano”, onde o fim da época de plantio se aproxima rapidamente.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou esta segunda-feira, o G20 para o risco de uma crise alimentar no próximo ano (2023), se o mercado internacional de fertilizantes não se estabilizar.
O acordo sobre os fertilizantes russos prevê o envio de pelo menos 260 mil toneladas para países em desenvolvimento
“O mundo enfrenta uma possível crise de arroz, bem como de trigo, óleo de girassol e milho”, advertiu Erdogan na sessão “Segurança Alimentar e Energia” da cimeira do G20, que decorreu na ilha indonésia de Bali até esta quarta-feira, 16 de Novembro.
Erdogan mediou os acordos de Istambul que a Ucrânia e a Rússia assinaram com as Nações Unidas para desbloquear as exportações de cereais ucranianos, bloqueadas pela guerra iniciada por Moscovo em 24 de Fevereiro deste ano.
Em conjunto, segundo a revista britânica The Economist, a Ucrânia e a Rússia forneciam, antes da guerra, 28% do trigo consumido no mundo, 29% da cevada, 15% do milho e 75% do óleo de girassol.
Embora o líder turco não tenha feito alusão directa à Rússia, o seu apelo é um apoio aos esforços de Moscovo para que sejam levantadas as barreiras à exportação dos seus fertilizantes.
A questão foi também discutida esta terça-feira, em Bali, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.
O prazo dos acordos de Istambul expira no sábado, e Moscovo tem-se mostrado relutante em prolongá-lo até que sejam levantadas restrições às exportações russas, segundo a EFE.
Guterres prometeu levantar estes obstáculos decorrentes das sanções ocidentais impostas a Moscovo pela sua invasão da Ucrânia, que, de acordo com Lavrov, dificultam o acesso dos navios russos a vários portos.
Destacando o papel do seu país como mediador, juntamente com a ONU, na obtenção do acordo, Erdogan apelou para que sejam tomadas medidas concretas para entregar os cereais a “regiões subdesenvolvidas que deles necessitam urgentemente, especialmente a África”.
“Temos feito grandes esforços para garantir a segurança alimentar global. Graças às abordagens construtivas das partes, mais de dez milhões de toneladas de cereais foram enviadas através do corredor que estabelecemos no Mar Negro juntamente com as Nações Unidas”, acrescentou.