A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique assegurou esta quarta-feira, 16 de Novembro, que há condições para a realização das eleições no próximo ano em Mocímboa da Praia, distrito que esteve por mais de um ano sob o comando de terroristas.
“Nós, enquanto órgão [oficial], estamos a preparar os nossos gestores do processo eleitoral a nível do distrito, convictos que realizaremos eleições autárquicas em Mocímboa da Praia”, disse Alberto José Sabe, vogal da Comissão Nacional de Eleições.
Mocímboa da Praia foi o distrito no qual os grupos armados protagonizaram o seu primeiro ataque no dia 5 de Outubro de 2017, tendo a sua vila sede sido, por muito tempo, descrita como a “base” dos terroristas.
A região foi saqueada e quase todas as infra-estruturas públicas e privadas foram destruídas, bem como os sistemas de energia, água, comunicações e hospitais.
Uma ofensiva militar das Forças de Defesa e Segurança em 2021, com o apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), permitiu a recuperação da região, estando em curso várias iniciativas para a reconstrução das infra-estruturas.
“Parece-nos que há uma boa percentagem dos deslocados que já regressaram a Mocímboa da Praia”
Para o vogal da CNE, o regresso da população com a gradual estabilização da situação de segurança abre espaço para que a votação seja possível em Mocímboa da Praia.
“Parece-nos que há uma boa percentagem dos deslocados que já regressaram a Mocímboa da Praia”, frisou a fonte.
Moçambique começa, em 2023, um novo ciclo eleitoral, com a realização das eleições autárquicas em Outubro, seguidas das gerais em 2024 (presidenciais, legislativas, provinciais e, possivelmente, as distritais).
A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada promovida por rebeldes, com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.
A insurgência levou a uma resposta militar desde há um ano com apoio do Ruanda e da SADC, libertando distritos junto aos projectos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.
Desde 2017, o conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e quatro mil mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.
























































