Quando o banco de investimento de Wall Street em que Naeche Vincent trabalhava disse que ela tinha que começar a vir ao escritório em 2021, ela decidiu fazer um vídeo no TikTok sobre como se preparar para entrar no ambiente corporativo pela primeira vez.
A jovem de 24 anos, cujos vídeos conquistaram mais de 2,4 milhões de “likes”, trabalhava em casa desde que começou como analista em 2020 e queria causar uma primeira boa impressão. Ela precisava de comprar roupas novas, fazer as sobrancelhas e mudar de manicure.
“Não posso ter unhas de gel, no mundo corporativo, unhas de gel simplesmente não podem ser, não com as pessoas com quem trabalho”, disse ela no vídeo, acenando com as unhas compridas.
Uma coisa que Vincent não mencionou no vídeo foi onde trabalhava, e em vídeos futuros, incluindo um sobre uma jornada de trabalho de 19 horas, ela também teve o cuidado de não revelar o empregador.
“O mundo da banca é muito rigoroso sobre o que se pode partilhar online”, disse Vincent em entrevista. “Se estamos a fazer ‘posts’ online sobre uma empresa específica, então basicamente essa pessoa torna-se um porta-voz. Simplesmente não digo onde trabalho”.
Os norte-americanos da geração Z cresceram habituados a partilhar as suas vidas nas redes sociais e não veem motivo para parar só porque entraram no mundo corporativo. Para Wall Street, onde a confidencialidade é cultivada à risca, isso representa um dilema. Vídeos do dia-a-dia não filtrados, como os de Vincent, podem servir como uma ferramenta de recrutamento para um setor que busca atrair talentos jovens e diversos. Mas o conteúdo também pode expor os maiores bancos de Nova Iorque, ao mostrar uma cultura de muito trabalho, mas também muitas festas.
Há vídeos do TikTok que mostram estagiários do JPMorgan a festejar num passeio de barco à volta de Manhattan, funcionários do Goldman Sachs na fila para uma “food truck” e ainda a comida servida nos estágios de verão para jovens funcionários do Morgan Stanley. Há ainda vídeos recentes que mostram trabalhadores no escritório cedo o suficiente para ver o sol nascer sobre o rio Hudson, ou analistas a trabalhar depois da meia-noite.
Até agora, as empresas têm navegado nessa nova realidade com cuidado. Alguns bancos incentivam o uso das redes sociais, enquanto que outros tentar assumir o controlo da sua própria narrativa. O Goldman, por exemplo, planeia lançar em breve uma conta do TikTok, com o objetivo de partilhar vislumbres de um dia típico de alguns dos funcionários juniores.
Ao mesmo tempo, funcionários do Goldman e do Bank of America removeram vídeos que as empresas dizem violar as suas normas. A maioria dos jovens que publicam nas redes sociais não divulgam onde trabalham para se protegerem de possíveis reações adversas e separarem o conteúdo do empregador.
Bloomberg
























































