O processo de transição energética é já o grande foco dos empreendedores do futuro. Em Moçambique, o número de empresas que vão acelerar o acesso ás novas fontes multiplica-se, e hoje a E&M vai contar a história da Uranus Solar que acaba de nascer, mas já quer se tornar adulta
Uma observação atenta ao ambiente global actual, associada ao vasto conhecimento sobre acessibilidade de energia no País, inspirou a criação da Uranus Solar, cujo foco é prover serviços que outras empresas do ramo já fornecem, porém, com “retoques” de inovação.
Ainda bebé de apenas dois meses, a empresa já sonha como um adulto. Das suas ambições o destaque vai para o alargamento da sua carteira de clientes, mas também tornar-se numa das grandes empresas provedoras de energias renováveis no mercado moçambicano.
Segundo o respectivo director executivo, Sérgio João, a Uranus Solar é uma empresa formada com capitais próprios, que se dedica à instalação e comercialização de produtos solares. É constituída por três sócios, todos moçambicanos.
“A ideia da criação da Uranus Solar surge como resultado do conhecimento que os sócios têm em relação àquilo que é a realidade da acessibilidade de energia em Moçambique. Mas também pelo conhecimento que os sócios da empresa têm quanto às energias renováveis”, revela Sérgio João, que diz ter realizado vários trabalhos de consultoria ligados às áreas de energia e ambiente para empresas internacionais, o que lhe permitiu aprimorar o know-how nesta actividade.
Para o gestor, a ideia da criação da Uranus Solar é tentar reduzir, através do uso das energias limpas, o impacto das mudanças climáticas providenciando mais fontes para as comunidades, independentemente da sua condição financeira.
Mas também “pensamos que, ao criar uma empresa como a Uranus Solar, podemos dar oportunidade de emprego aos jovens ou mesmo potenciar as suas capacidades de gerar o auto-emprego”.
O empreendimento, que arrancou com um investimento de 500 mil dólares, só tem dois meses, mas já conta com uma carteira de 400 clientes activos, facto que é visto pelos responsáveis como extraordinário, principalmente por começar actividades em pleno ambiente conturbado devido a uma combinação de factores negativos, cujo expoente máximo é o covid-19.
Apesar disso, os responsáveis da Uranus Solar acreditam que estão em altura de ajudar a melhorar o acesso a energia, que agora está situado em menos de 40%. “Sentimos que podemos dar o nosso contributo para reduzir o sofrimento dos moçambicanos, sobretudo os que vivem nas zonas rurais sem acesso à rede eléctrica tradicional”, sublinha Sérgio João.
Na verdade, embora as renováveis sejam uma novidade no mercado moçambicano, já existem várias empresas a operar no ramo providenciando os mesmos serviços. Ainda assim, os gestores não temem a concorrência por considerarem haver uma pequena diferença entre os seus serviços e os dos demais.
“Primeiro, os kits da Uranus Solar possuem uma bateria de alta qualidade e duradoura, que consegue providenciar energia durante 24 horas e tem uma capacidade de se acrescentar a quantidade das lâmpadas assim como pode-se ligar uma televisão, rádio e carregar telemóveis”, explica e continua: “o segundo aspecto é o preço que oferecemos ao cliente e as modalidades de pagamento. Olhamos para os nossos produtos como uma solução ideal para aquilo que o mercado precisa tendo em conta a situação económica do país”.
Neste momento, a empresa conta apenas com uma delegação na província de Inhambane e tem no mercado três tipos de kits: o básico contendo três lâmpadas, o intermédio com quatro lâmpadas, e o maior com capacidade de acrescentar mais lâmpadas e contém uma televisão de 32 polegadas. Quanto às facilidades de aquisição, no pacote básico, um kit exige depósito de 550 meticais e uma mensalidade de 350 meticais durante 30 meses. No Intermédio, o depósito é de 650 meticais e uma mensalidade de 550 meticais. E no maior a entrada é de 3 500 meticais e uma mensalidade de dois mil meticais.
Contando actualmente com 45 trabalhadores, a empresa considera que o grande desafio tem que ver com o acesso ao capital, embora isso não desmotive a sua ambição que, como é já sabido, é crescer a curto prazo e expandir os seus serviços para todas províncias
do país.
Texto Hermenegildo Langa • Fotografia Mariano Silva

























































