O mercado mundial da arte cresceu 29% em 2021, superando o valor anterior à pandemia, com as vendas, entre revendedores e leiloeiras, a atingir cerca de 59 mil milhões de euros, indica um relatório divulgado esta quarta-feira, 31 de Março, pela Art Basel.
De acordo com o relatório Global Art Market 2022, da autoria da economista cultural e fundadora da Arts Economics, Clare McAndrew, divulgado pela Art Basel, o sector registou vendas de 65,1 mil milhões de dólares no ano passado.
As mudanças mais significativas no sector foram o grande incremento da atividade online e o crescimento nas vendas dos activos únicos não fungíveis digitais (NFT, na sigla inglesa). Após a desaceleração iniciada em 2009, e acentuada com o impacto da pandemia covid-19, em 2020, “o mercado de arte demonstrou uma resiliência incrível em 2021, com um forte aumento nas vendas agregadas, apesar de ainda operar sob algumas condições muito desafiadoras”, conclui a especialista.
McAndrew sublinha, no documento, que os revendedores e as casas de leilões conseguiram adaptar-se ao novo sistema de vendas – presencial e online – e que a “crescente riqueza dos colecionadores de ‘alto património líquido’ [HNW na sigla em inglês] ajudou a sustentar a procura no segmento mais alto do mercado”.
A migração da actividade do mercado de arte para o online, incluindo galerias de arte, feiras e leilões, foi uma das maiores mudanças nesta área, forçada a adaptar-se, em 2020, com a pandemia. Esta presença digital da actividade tornou-se o “novo normal em 2020, mas o volume cresceu mais significativamente em 2021, com 7%, atingindo os 13,3 mil milhões de dólares.
A maior surpresa no mercado coube, no entanto, à entrada dos objetos de arte puramente digitais, os chamados NFT, quando, em março de 2021, uma “colagem digital” do artista Beeple, intitulada “Todos os dias: os primeiros 5 000 dias”, foi vendida em leilão através da Internet por 69,4 milhões de dólares, um valor recorde para obras não físicas.
Outras vendas de arte NFT e colecionáveis em blockchains (uma cadeia de blocos que ficam registados como únicos, irreplicáveis e cujo historial de transações pode ser seguido desde a origem da obra) elevaram os valores globais a 11,1 mil milhões de dólares.
O relatório dá como exemplo a galeria Lehmann Maupin – com atividade em Nova York, Londres, Hong Kong e Seul -, que fez uma parceria com a empresa de câmbio de criptomoedas Gemini, para aceitar este modo de pagamento, e este ano lançou o CollectAR, uma nova plataforma para apresentar NFT em realidade aumentada. A plataforma estreou-se na terça-feira, com três obras da artista Ashley Bickerton, criadas como peças complementares para a sua recente exposição “Seascapes at the End of History”, na galeria de Nova Iorque.
De acordo com o relatório da Feira Art Basel, “até os colecionadores HNW foram rápidos em começar a adquirir nesta nova área”: da pesquisa realizada, cerca de 74% compraram NFT baseados em arte, em 2021, e 88% estão interessados em comprar obras de arte neste formato, no futuro. No entanto, entre os negociantes de arte, quase metade não vendeu obras NFT, e até disse não ter interesse em fazê-lo, indica o relatório.
“Quando as coisas são novas, são intimidantes”, declarou um colecionador de NFT que pediu para manter o anonimato, acrescentando: “O que Banksy está a fazer já foi considerado vandalismo, e agora vale milhões”. Referiu ainda as doações feitas aos que lutam contra a invasão da Ucrânia pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin: “O mundo está a mudar para a criptomoeda. Até a guerra na Ucrânia está a ser apoiada desta forma”.
Dos revendedores de arte pesquisados pelo Relatório Global Art Market – promovido pela Feira Art Basel e a UBS, empresa de serviços financeiros com sede em Zurique, na Suíça – as perspetivas para 2022 revelam 62% a acreditar que o mercado melhorará este ano, incluindo 16% que esperam uma melhora significativa.


























































