Desenhos, gravuras, telas e pinturas levantam voo com destino a reflexões, que permitem, somente, uma aterragem após o mergulho num fascinante ritual artístico, onde a contemplação é inevitável. As memórias de infância fizeram da artista plástica Carmen Muianga personagem de uma história em que a arte fala e detém o protagonismo.
Através da exposição intitulada “O homem que cai na terra”, a artista abre espaço para a reflexão de diferentes temas sociais, por meio de 15 obras, onde a colagem, técnica mista e o reaproveitamento de gravuras ganham destaque. O curioso título que dá vida à exposição surge de uma lembrança de infância da artista, no bairro de Maxaquene, cidade de Maputo, quando, num grupo de amigos, assistiam a um espectáculo de paraquedismo e questionavam-se sobre o possível destino dos paraquedistas que não conseguiam “cair na terra” ou em locais visíveis pelos espectadores.
“Enquanto trabalhava na exposição enfrentei dificuldades para encontrar a composição certa de uma das obras. Num desses dias, virei espontaneamente a peça, que me sugeriu um paraquedas. Em seguida fluíram as memórias dos paraquedistas que não caíam no “ponto certo”. De “o homem que cai na terra”, atravessando o “Monte”, até ao “fora da lei”, o azul e branco penetram no imaginário da exposição de Carmen Muianga transmitindo tranquilidade, ao mesmo tempo que conduzem a um questionamento sobre “naturalização da realidade”.
“Cada obra remete-nos para vários significados. A exposição é vasta, mas, acima de tudo, é uma exaltação ao desporto, em particular o paraquedismo. É uma chamada de atenção para a sua massificação, de forma a que não seja visto ou tratado como um desporto de elites.” Com 47 anos de idade, dos quais mais de 26 dedicados à arte, Carmen Muianga colecciona trabalhos dispersos pelo mundo por meio de exposições individuais e colectivas. “O homem que cai na Terra” encontra-se aberto ao público até ao dia 5 de Setembro das 09h00 às 18h00, na Fundação Fernando Leite Couto. As visitas obedecem às medidas instituídas para a prevenção do covid-19.
Yana de Almeida






















































