A introdução de novas tecnologias agrárias e herbicidas orgânicos para o controlo de infestantes (ervas daninhas) está a contribuir significativamente para aumento da produção de hortícolas e cereais nas comunidades do distrito de Balama, província de Cabo Delgado.
Trata-se de uma iniciativa levada a cabo desde 2019 pelo Grupo de Saneamento de Bilibiza (GBS), uma organização não-governamental que actua nas áreas de água, saneamento e higiene, segurança alimentar e nutricional, energias renováveis e género.
O projecto envolveu até ao momento mais de mil pequenos produtores agrícolas, que trabalharam em 12 campos de demonstração de resultados, nos quais foram testadas inovações tecnológicas, tais como a “bicicleta azada” e os pulverizadores de aspersão.
Segundo Osvaldo Veremo, oficial de segurança alimentar da GBS, que falava num encontro virtual sobre o maneio integrado de infestantes, o controlo de ervas daninhas nos campos agrícolas é importante, na medida em que elas concorrem com as culturas alimentares pelo acesso aos nutrientes, água e luz, o que pode reduzir o seu potencial produtivo em até 70 por cento.
Veremo explicou que, por exemplo, a introdução da “bicicleta azada”, que tem um cortador de ervas acoplado, reduziu o tempo e custo das sachas em 30 por cento. “Se antes precisávamos de 26 homens para lavrar um hectare com recurso à enxada, com a ‘bicicleta azada’ são necessários apenas 16”, anotou.
O oficial de segurança alimentar da GBS referiu também que os produtores agrícolas de Balama foram igualmente formados em matéria de produção de herbicidas orgânicos com recurso a óleo extraído de cascas da castanha de caju, antes descartado depois do descasque. De modo a garantir maior durabilidade das tecnologias que estão a ser usadas pelos agricultores, foram ainda capacitados alguns serralheiros locais para a produção de peças sobressalentes e manutenção destas ferramentas agrícolas.
Uma vez que a eclosão da pandemia do covid-19 limitou o contacto entre as pessoas, foi introduzido o programa “rádio extensão”, para permitir que os agricultores pudessem acompanhar as orientações técnicas dos mentores do projecto, independentemente do local onde se encontrarem.
O GBS considera, no entanto, que apesar dos resultados do projecto serem promissores, há necessidade de se massificar a produção de protótipos das tecnologias desenvolvidas, destacando que o apoio do sector privado é crucial para o efeito.
























































