As grandes empresas petrolíferas, convencidas de que a recuperação do sector dos hidrocarbonetos, particularmente em África, andará de mãos dadas com o sucesso das campanhas de vacinação que ainda agora estão a arrancar por todo o continente, têm vindo a lançar-se em programas de inoculação e algumas delas estão mesmo a investir no lucrativo mercado do armazenamento de vacinas.
Não é surpresa para ninguém que a pandemia de covid-19 tem forçado, ao longo do último ano, as maiores petrolíferas (como milhões de outras empresas) a reinventarem-se, levando-as a envolverem-se em ramos de atividade nas quais tinham pouco ou nenhum interesse no período pré-pandémico. Como exemplo, ainda este mês, a Shell doou 10 milhões de dólares para o programa Covax da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa fornecer vacinas a países de baixo rendimento. A iniciativa abrange a África subsariana (Moçambique incluído), uma região em que a Shell está activa em países como os Camarões, Gabão, Gana e Nigéria.
Ninguém saberá melhor como o sector petrolífero tem sido um dos mais duramente atingidos pela crise económica causada pela pandemia como quem nele está e, na esperança de melhorar a sua imagem e ao mesmo tempo servir os seus próprios interesses, as petrolíferas têm contribuído financeiramente para a investigação em vacinas.
É o caso da ExxonMobil, que também tem uma forte presença no continente, particularmente em Moçambique onde encabeça o projecto de exploração da Área 4 da Bacia do Rovuma, que anunciou em Junho passado que um investimento no programa europeu de investigação de vacinas, embora não tenha especificado quanto investiuy
Na África do Sul, o produtor de gás natural e hélio Renergen anunciou já este ano, em meados de Fevereiro, que estava a iniciar a produção de um congelador móvel ultra-frio de hélio, solução de armazenamento a ultra baixa temperatura, essencial para a preservação das vacinas da Pfizer que, posteriormente serão vendidas a empresas de logística e transporte.
O director da Renergen Stefano Marani espera exportar o produto para toda a região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que compreende 16 países.
E há um outro exemplo também bastante familiar. Na sua última declaração financeira, publicada a 22 de Fevereiro, a gigante petroquímica sul-africana Sasol salientou o papel desempenhado por um dos seus produtos — ISOCARB 16 —, na composição de vacinas de RNA mensageiro, tais como as fabricadas pela Pfizer e Moderna.
Tal como Renergen, a Sasol também oferece tecnologias de material de mudança de fase para soluções de armazenamento de vacinas a temperaturas muito baixas, a crise pandémica levou a petroquímica a intensificar a comercialização deste produto, que já estava no seu catálogo antes da pandemia.
























































