A Montepuez Ruby Mining (MRM), empresa que explora uma mina de rubis no norte do país, pediu ontem o apoio do Governo para travar o garimpo ilegal na região, depois de três seguranças seus terem sido feridos num ataque.
Depois de um grupo de garimpeiros, que fazem prospeção ilegal, terem ferido gravemente três funcionários e incendiado uma viatura da empresa, que detém 33 mil hectares de concessão para exploração de rubis em Montepuez, província de Cabo Delgado, no norte do país, a MRM endereçou um pedido de apoio ao Governo por forma a extinguir os focos da mineração ilegal que ainda persistem naquele ponto.
“Pedimos o apoio do Governo para a resolução deste problema, que tem causado enormes prejuízos à companhia”, disse Harald Halbich, director-geral da MRM, citado num comunicado distribuído ontem à imprensa.
Para a empresa, as incursões de garimpeiros na mina estão a ser lideradas por “sindicatos ilegais de contrabando de rubis”, grupos que alegadamente estão a ser financiados por compradores estrangeiros.
Pedimos o apoio do Governo para a resolução deste problema, que tem causado enormes prejuízos à companhia
“Os mineiros em situação de ilegalidade são normalmente controlados e geridos por sindicatos e intermediários que tiram vantagem da pobreza e do desemprego. As acções perpetradas [nestas acções] ultrapassam as nossas capacidades”, observou.
Apesar a MRM continue a apostar nas campanhas de consciencialização nas comunidades, reitera que há necessidade de uma intervenção das autoridades.
A Montepuez Ruby Mining apresenta-se como a principal investidora na extração de rubis no país, sendo detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela moçambicana Mwiriti Limitada.
A empresa tem vindo a alertar para as consequências do garimpo ilegal na região, denunciando o que classificou de “escravatura moderna” a que muitos jovens são sujeitos, a mando de traficantes de pedras preciosas no mercado internacional, nas jazidas dentro da concessão da empresa.
No passado dia 6, 11 garimpeiros em situação ilegal morreram devido ao desabamento de terra.
A mina de Montepuez foi notícia a nível internacional no ano passado devido a um processo judicial onde a Gemfields, embora não tenha admitido a existência dos incidentes, aceitou pagar, num acordo extrajudicial, 8,3 milhões de dólares para pôr termo a 273 queixas de mortes, espancamentos e outras violações de direitos humanos junto à mina, executadas por seguranças privados e polícias, entre 2011 e 2018.