A analista de assuntos económicos com o pelouro de África na Organização das Nações Unidas (ONU), Helena Afonso, considerou, esta segunda-feira, que os eventos climáticos e o acesso a financiamento são questões “preocupantes” para a economia moçambicana.
“Existem vários factores preocupantes que podem afectar as condições económicas de Moçambique a curto prazo, incluindo eventos climáticos extremos (como secas e inundações) ou dificuldades das empresas em aceder a condições de financiamento adequadas”, respondeu Helena Afonso quando questionada sobre os maiores desafios da economia nacional.
Em entrevista, na semana em que foram divulgadas as previsões da ONU para a economia mundial, a especialista acrescentou que, “de uma perspectiva mais estrutural, os níveis elevados de dívida continuam a ser um problema para a economia, pois a dívida pública elevada limita bastante a capacidade de implementar políticas fiscais e redistributivas no país” e mantém o Governo “consideravelmente dependente de recursos de doadores externos para responder a grandes eventos, como ciclones”.
“existe uma necessidade urgente de mobilizar recursos públicos e privados”
A ONU prevê que a economia nacional recupere de um crescimento de 1,5% em 2019 para 5,5% este ano, o mais elevado da África Austral.
“O crescimento económico deverá recuperar neste e no próximo ano graças às actividades de reconstrução relativas à passagem do ciclone Idai”, disse Afonso, acrescentando, ainda assim, que “as condições económicas permanecerão complicadas dados os recursos limitados, as consequências que ainda se fazem sentir em termos económicos e financeiros da crise da dívida de 2016 e o défice de infraestruturas”.
A reestruturação da dívida, acordada no final do ano passado com os credores, “reduziu o pagamento de juros, estendeu as maturidades e é em geral consistente com a manutenção da sustentabilidade da dívida”, reconhece a ONU.
“No entanto, a consolidação fiscal gradual e o alívio adicional da dívida por parte dos credores internacionais continuam a ser factores importantes para a sustentabilidade da dívida”, diz Helena Afonso, concluindo que “ainda existe uma necessidade urgente de mobilizar recursos públicos e privados para os esforços de reconstrução e enfrentar a crise humanitária” decorrente dos ciclones.




























































